domingo, 26 de julho de 2009

Embaixador da Coreia do Norte diz que notícias sobre seu país são manipuladas

Saiu no Blog Vermelho.org

O embaixador da Coreia do Norte no Brasil, Pak Hyok, criticou, nesta sexta-feira (24), a manipulação das informações sobre o seu país e a ideia que tentariam passar de que a nação seria um risco à paz. Durante a abertura da 2ª Assembleia Nacional do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), ele afirmou que seu país não tem a intenção de atacar nenhum outro, mas apenas trabalha para ampliar seu potencial defensivo, já que tem como vizinhos vários países fortemente armados e é alvo de ''ameaças dos Estados Unidos''.

Hyok avaliou que o lançamento do satélite coreano, que ocorreu no dia 5 de abril, “é um direito legítimo de um país independente”. A atitude foi questionada e levada ao Conselho de Segurança da ONU, que condenou a atitude.

“Nosso governo recusa energicamente essa condenação. Achamos que o presidente do conselho deveria pedir desculpas. Mas passou mais de um mês e não tivemos resposta”, colocou, afirmando que as notícias sobre sua nação sõ devirtuadas.

O embaixador afirmou que o recente teste nuclear que a Coreia fez teve caráter defensivo, com o objetivo de garantir a soberania nacional. E disparou, sob aplausos da plateia: “Nós fizemos o segundo teste nuclear. Até agora, no planeta, foram feitos 2054 testes nucleares, dos quais, 99,9% foram feitos pelos membros permanentes do Conselho de Segurança”

Ele rechaçou a ideia de que a coréia ameace quem quer que seja e pediu uma análise mais atenta à posição de seu país. “Temos fronteira com a China, Rússia, Japão, Coreia do Sul. No Japão e no Sul da Coreia estão estacionadas tropas norte-americanas, há o guarda-chuva nuclear dos EUA. A China e a Rússia também têm armamento nuclear. O único que não tem proteção é a Coreia”, comparou.

Segundo Hyok, a Coreia é um país pequeno, sob constante ameaça norte-americana. “Eles querem acabar com nosso sistema político e ideológico porque é diferente do deles. Nós não obedecemos nem damos atenção às palavras dos EUA”, declarou. O coreano, então, questionou: “O que temos que fazer para nos defendermos? Se um inimigo que nos ameaça possui armamento nuclear, temos que enfrentar com armamento nuclear”, colocou, afirmando que “o povo da Coreia ama a paz”.

O embaixador lembrou que no próximo dia 27, será o 56º aniversário da assinatura do cessar fogo da guerra da Coreia, mas que, apesar disso, permanece a tensão na península. “Nós queremos conquistar um acordo de paz duradoura, mas os Estados Unidos estão impedindo, porque querem expandir sua dominação por toda a Coreia”, ressaltou, defendendo a retirada das tropas norte-americanas do sul da coréia, para que a península possa resolver sem interferência as suas questões internas.

Hyok destacou que as relações entre Coreia e Brasil se desenvolveram bastante nos últimos anos, a exemplo da criação da embaixada do Brasil em seu país. Ele também elogiou esforços do governo brasileiro na garantia da “integridade regional e contra todo o tipo de dominação”.

Palestina

Na abertura da assembleia, o representante da autoridade palestina no Brasil, Hassan Gamal, criticou o governo de Israel e a investida contra seu povo. “Nós não queremos guerra. Queremos viver em paz, porque a paz na Palestina vai trazer a paz no mundo todo. Enquanto a Palestina sangra, tem problemas, o terrorismo no mundo não fica calmo”, colocou.

Segundo ele, o povo palestino não tem forças para lutar contra Israel. Gamal agradeceu o apoio e solidarieddade que a Palestina tem recebido do Cebrapaz e disse esperar que a assembleia ajude a encontrar uma saída de paz para os problemas no Oriente Médio.

Leia também: Assembleia do Cebrapaz: ‘Não aceitamos mais golpe na América Latina’

Do Rio de Janeiro,
Joana Rozowykwiat

Revista Veja: Laboratório de invenções da elite

“Veja faz um jornalismo de trás para a frente”, explica Cláudio Julio Tognolli, repórter do semanário na década de 1980 e hoje professor da USP. Segundo ele, se estabelece uma tese e a partir dela se parte para a rua, para a apuração. Ouvir lados diferentes da história e pesquisar sobre o tema são práticas que não alteram a “pensata”, jargão para definir a tese que a matéria deve comprovar. Dentro da redação, o melhor repórter é o que traz personagens e fontes para comprovar a tese. “Assim, Veja ensina à classe média bebedora de uísque o que pensar”, alfineta.

Por Anselmo Massad, da revista Fórum

Um movimento popular ganhava atenção e simpatia da opinião pública fazia dois anos. Era preciso desmoralizá-los. Em junho de 1998, a capa da revista semanal com maior tiragem do país enquadrava uma das lideranças do movimento com uma iluminação avermelhada produzida nas telas de um computador sobre o rosto com uma expressão tensa. A chamada não deixava dúvidas: “A esquerda com raiva”. O rosto demonizado era de João Pedro Stédile, líder do movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), e a publicação, Veja.

Na matéria, além de explicitar sua posição, descredenciando o movimento por defender idéias contrárias às defendidas pela revista, os sem-terra eram apresentados como grupo subversivo-revolucionário, quase terrorista. Apesar das quase duas horas de entrevista, só foram aproveitadas declarações do líder de debates sobre socialismo em congressos devidamente descontextualizados. Stédile conta que, após a publicação daquela reportagem, ele e as lideranças do movimento tomaram a decisão de não atender mais à revista. Na época, uma carta anônima circulou por correio eletrônico revelando supostos detalhes de como a matéria teria sido produzida. A carta não comprova nada, e atribui ao secretário geral de Comunicações de Governo de Fernando Henrique Cardoso, Angelo Matarazzo, a “encomenda” para desmoralizar os sem-terra.

A iniciativa de não dar entrevistas à Veja também foi adotada por Dom Paulo Evaristo Arns, ex-arcebispo da Arquidioscese de São Paulo, quando presidia a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O motivo era a distorção da cobertura. Procurado, não quis discutir o tema, apesar de manter a determinação de não conversar com jornalistas do veículo.

O presidente venezuelano Hugo Chávez é o mais recente alvo no plano internacional. Em 2002, Veja chegou às bancas no domingo com a chamada "A queda do presidente fanfarrão", quando a reviravolta já havia ocorrido e a manobra golpista denunciada. A "barriga", jargão jornalístico empregado a erros da imprensa, não foi sequer corrigida ou remediada. Em 4 de maio desse ano, Hugo Chávez voltou a ser alvo da revista, com a pergunta na capa "Quem precisa de um novo Fidel?", ditador cubado a quem a revista sempre se esperneou.

A lista é extensa, mas as razões derivam de uma fórmula simples. “Veja faz um jornalismo de trás para a frente”, explica Cláudio Julio Tognolli, repórter do semanário na década de 1980 e hoje professor da USP. Segundo ele, se estabelece uma tese e a partir dela se parte para a rua, para a apuração. Ouvir lados diferentes da história e pesquisar sobre o tema são práticas que não alteram a “pensata”, jargão para definir a tese que a matéria deve comprovar. Dentro da redação, o melhor repórter é o que traz personagens e fontes para comprovar a tese. “Assim, Veja ensina à classe média bebedora de uísque o que pensar”, alfineta.

Júlio César Barros, secretário de redação da revista, negou esse tipo de procedimento, em entrevista realizada em meados de 2003. Ele admitiu, porém, que a posição da revista é muito clara e conhecida por todos, do estagiário ao diretor. “Medidas irresponsáveis, que atentem contra as leis de mercado ou tragam prejuízos para a economia não terão apoio da revista, que prefere políticas austeras e espaço para o empresariado”, resumiu. A versão oficial do jornalismo praticado pela revista é de que, depois de ouvir especialistas e as pessoas envolvidas, o repórter normalmente já tem uma opinião formada sobre o assunto e a reproduz na matéria. Quem já trabalhou na revista nega.

“As assinaturas das matérias são uma ficção”, sintetiza um ex-colaborador da revista que não quis se identificar. As matérias são reescritas diversas vezes. O repórter entrega o texto que é modificado pelos editores, depois refeito pelos editores executivos e, por fim, pelos diretores de redação. No final da “linha de montagem”, o repórter, que pacientemente aguardou a edição para uma eventual necessidade de verificação de dados, não tem acesso ao texto até ver um exemplar impresso. O processo é narrado no livro do ex-diretor de redação da revista Mário Sérgio Conti, que fez parte da cúpula da publicação até 1997, como chefe de redação e diretor. A opinião que prevalece é a da revista, ainda que todos os entrevistados tenham dito o oposto, mesmo que para isso seja preciso omiti-las do leitor.

A criação de frases de efeito para os entrevistados foi, durante a década de 1980, prática comum, conforme narram diversos jornalistas ex-Veja. É do inventivo do ex-diretor Elio Gaspari a frase assumida por Joãozinho Trinta: “Quem gosta de pobreza é intelectual”. Outras foram criadas, algumas sem consulta, no caso de fontes mais próximas aos repórteres e diretores, que ganhavam carta-branca como porta-vozes de certas personalidades.

No quesito busca de frases, Tognolli conta que elaborou com colegas um dicionário de fontes que incluía verbetes como “Sindicalista que fala bem da direita” ou “Militar que fala bem da esquerda”. O material informal de consulta chegou a 70 verbetes e inúmeros nomes. Algo essencial para os dias de fechamento e encomendas de declarações sob medida.

Leia a matéria completa aqui no Blog TUDO EM CIMA

Juventude exterminada

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Charge do Latuff , condenando a política de segurança pública do Rio de Janeiro, foi usada no cartaz que convocou a sociedade carioca para participar do ato que lembrou os 16 anos da "chacina da Candelária".

por Conceição Lemes

23 de julho de 1993. Policiais militares executaram oito meninos que dormiam próximo à Igreja da Candelária, no centro do Rio Janeiro. O massacre ficou conhecido como a "chacina da Candelária".

Até hoje o motivo não foi esclarecido. Um aventado seria o apedrejamento de um carro da polícia feito por meninos em situação de risco, na rua, um dia antes. Eles teriam se manifestado após a prisão de um traficante que vendia cola de sapateiro. Outra causa possível foi o atropelamento da mulher de um policial que fugia de um arrastão cometido por menores. Um dos sobreviventes do ataque foi testemunha-chave do processo na época, onde quatro PMs foram condenados.

Desde então, movimentos sociais do Rio de Janeiro se unem todos os anos para lembrar a morte dos oito meninos. Este ano foi na sexta-feira, 24 de julho. Eles fizeram uma caminhada e um ato público em defesa da vida para celebrar os 20 anos da Convenção Internacional da Criança e do Adolescente, os 19 do Estatuto da Criança e do Adolescente e para se manifestar contra a redução da maioridade penal.

Nessa mesma semana, na terça-feira, 21, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República divulgou um estudo inédito sobre o risco de morte entre adolescentes no Brasil.

Entre as regiões metropolitanas, a do Rio de Janeiro é onde há mais assassinatos na adolescência. De cada mil jovens, 4,9 são vítimas de assassinato antes de completar 19 anos.

Foz do Iguaçu, no Paraná, é a cidade que registra o maior índice -- 9,7: cerca de dez jovens entre mil adolescentes morrem assassinados. O valor é mais de três vezes superior à média nacional. Em seguida, vêm Governador Valadares, em Minas Gerais, com 8,5, e Cariacica, no Espírito Santo, com 7,3.

O estudo avaliou 267 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes. O objetivo da pesquisa, desenvolvida em conjunto pelo governo federal, Unicef e Observatório das Favelas, foi o de medir o impacto da violência nesse grupo social, monitorar o fenômeno e avaliar a aplicação de políticas públicas. A estimativa é que, no perído de 2006 a 2012, ocorram mais de 33 mil assassinatos entre jovens de 12 a 18 anos.

"Isso significa que teremos 13 mortes diárias por assassinatos de adolescentes", ressaltou Carmen Oliveira, subsecretária dos Direitos da Criança e do Adolescente da SEDH. "Considerando a preocupação brasileira com a gripe suína, em que cada morte é contabilizada dia a dia, é importante que a sociedade tenha a mesma indignação e preocupação com essas vidas perdidas na adolescência."

A coordenadora do Programa de Redução da Violência Letal do Observatório de Favelas, Raquel Willadino, traçou um perfil dos adolescentes que mais morrem por homicídio no Brasil: são meninos, negros e moradores de favelas ou de periferias dos centros urbanos. Segundo ela, há ainda forte relação com o tráfico de drogas.

A pesquisa indica que, para adolescentes do sexo masculino, o risco de ser assassinado é 11,9 vezes maior se comparado ao de mulheres na faixa de 12 a 18 anos.Também que os adolescentes negros tem 2,6 vezes mais risco de serem assassinados dos que os brancos.

"No Brasil", alerta Conceição Oliveira no seu blog, "se produz um verdadeiro extermínio da juventude negra."

Clique aqui para acessar o documento completo do estudo.


Postado originalmente no site: vi o mundo