quarta-feira, 29 de julho de 2009

O refúgio dos canalhas


por Eduardo Guimarães, no blog Cidadania.com

Criou-se uma situação deveras interessante hoje no Brasil. Confesso que devo reconhecer a criatividade e a esperteza desse pessoal, o que não quer dizer que tais “atributos” redundem, necessariamente, no resultado pretendido por seus detentores.

A estratégia é muito simples: pegam-se políticos que estão sempre à disposição da governabilidade. Num sistema político como o nosso, governo nenhum faz nada sem maioria no Legislativo, ou seja, sem eles.

Chega a ser piada que alguns digam que, para não se aproximar desse tipo de político, deve-se manter distância dos partidos deles e dar um jeito de governar em minoria. Fico a imaginar o PSDB governando sem o PMDB, deixando ele se aliar à oposição agora petista.

Então, pega-se esse monte de gente enrolada do PMDB e coloca-se à luz do dia – aparece tudo e mais um pouco. Em seguida, expõe-se a deformidade, sob holofotes, à execração pública, como foi feito com o deputado que “se lixou”, com o do “castelo” e, agora, com o senador do bigode.


Ora, como ficar ao lado de gente assim, pensam os autores da esperteza. Enquanto iluminam o lixo do lado de lá, o do lado de cá fica confortável, refestelado no refúgio em que a oposição a Lula se tornou para os canalhas de todas as cepas.

O mais curioso dessa estratégia tão aparentemente avassaladora é que ela não tem impedido que o lixo que escolhe o lado (vamos dizer assim) “errado”, acabe se reelegendo, até por conta da banalização das denúncias e da seletividade delas.


E, no fim das contas, é bom que o lixo se acumule todo nesse refúgio para canalhas em que se converteu a oposição ao governo Lula. Ao dizer aos canalhas que se ficarem do lado “certo” não serão incomodados, a mídia acaba limpando o outro lado.

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