sábado, 25 de julho de 2009

Diretores da UNE rebatem críticas da imprensa

A imprensa brasileira não quis informar à sociedade que o apoio da Petrobras se deu também no 50º Congresso da UNE, realizado em 2007. Neste encontro, a entidade levou, em parceria com a Coordenação dos Movimentos Sociais, mais de 8 mil estudantes às ruas exigindo o "Fora Meirelles", demarcando a sua posição de discordância com a política econômica do Governo Federal e a sua autonomia política. O artigo é de Tiago Ventura e Joanna Paroli, vice-presidente da UNE e diretora da entidade, respectivamente

Nos dias 15 a 19 de julho, jovens de todos os estados do País se reuniram para realizar o 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes. Contando com a participação de mais de 10 mil estudantes, com delegados eleitos em 92 por cento das universidades brasileiras, o encontro entrou para história como o mais representativo da entidade, reforçando a história de lutas e legitimidade da UNE no seio dos estudantes e do movimento social brasileiro.

O 51º Congresso da UNE teve como marco comemorativo os 30 anos do Congresso da UNE de Salvador, realizado em meio à ditadura militar na perspectiva de refundar a entidade, até então fechada e perseguida pelo governo militar, colocando-a ativamente na luta pela redemocratização do País. Dessa forma, um dos pontos altos do 51º CONUNE se deu em torno do direito à memória dos estudantes perseguidos e mortos durante a ditadura, como o presidente da UNE “desaparecido” Honestino Guimarães, e dos militantes envolvidos nos processos de contestação dos anos de chumbo, como a guerrilha do Araguaia.

Outros momentos importantes fizeram parte desse Congresso. A realização do ato público em defesa da Petrobras, que se desdobrava na campanha contrária à CPI instaurada pela direita privatista contra a empresa, pelo fim dos leilões de petróleo e pela criação de uma empresa estatal para exploração da camada pré-sal. O ato reforçava a luta histórica da UNE por uma nova concepção de Estado, na qual bens estratégicos como o petróleo devem ser encarados e explorados a partir do seu caráter público, tendo como finalidade o combate às desigualdades sociais, em contrapartida ao desejo da direita, que gostaria de ver a Petrobras privatizada nas mãos do capital financeiro mundial. A UNE continua na vanguarda dos movimentos sociais quando colocou, na última gestão, a Campanha pela Legalização do Aborto como pauta prioritária e a construiu nas universidades de todo o país. Nesse Congresso, dezenas de estudantes uniram-se ao Ato contra a CPI do Aborto, instaurada na Câmara Federal, reafirmando o compromisso da UNE com a luta feminista e por uma educação libertária e livre de todas as opressões.

Por fim, o 51º CONUNE reafirmou, ao longo de todas as suas atividades, principalmente nas resoluções aprovadas na plenária final, a opção acertada de diálogo com a sociedade brasileira que a UNE trilhou no último período, reconhecendo os avanços e as contradições do Governo Lula, e dos governos populares da América Latina, entendendo que somente por meio da mobilização e pressão dos movimentos sociais é possível aprofundar as mudanças e construir alternativas ao mercado e ao sistema capitalista consolidado na sociedade mundial.

Foi precisamente no sentido de reforçar o diálogo e a necessária disputa de rumos que ocorreu a participação do Presidente Lula, a primeira participação de um presidente da República em um congresso estudantil na história do país. A atividade foi marcada pelo tom crítico dado pela intervenção da ex-presidente da entidade Lúcia Stumpf, exigindo assistência estudantil aos estudantes do Prouni, a ampliação e aplicação do programa somente em universidades que possuam pesquisa e extensão e a auditoria das contas das universidades que recebem a isenção, reforçando a inclusão de parcelas expressivas da população no ensino superior e construindo marcos regulatórios importantes do ensino privado.

Como era de se esperar, no decorrer do Congresso, e, principalmente, ao seu final, a grande mídia conservadora e monopolista – com destaque negativo para a Folha de São Paulo e as Organizações Globo - produziu uma série de matérias questionando as atividades construídas ao longo do evento, acusando a entidade de estar atrelada ao Governo Federal por receber apoio para realização do Congresso da Petrobras e de ter “abandonado a educação e as bandeiras históricas”, ignorando as resoluções aprovadas após cinco dias de debates. Os ataques chegaram ao cúmulo de tentar desmoralizar individualmente o estudante Augusto Chagas, recém-eleito presidente da UNE.

Trata-se de uma nítida tentativa de criminalizar e desqualificar a atuação de uma entidade que possui 72 anos de história em defesa do povo e da juventude brasileira, exemplificada na campanha do "Petróleo é nosso", na luta pelas reformas de base e contra a ditadura militar, nas lutas pelas "Diretas Já" e pelo "Fora Collor" e na resistência à privatização da Universidade Pública, organizada pelo Governo FHC na década de 90. Enquadra-se no contexto de perseguição organizada pelos setores conservadores, com braços infiltrados desde o Poder Judiciário até o Senado Federal, aos movimentos sociais combativos da sociedade brasileira, como os lançados recentemente contra o MST e o MAB, enxergando-os como organizações terroristas, organizadas pelo Governo a partir da liberação de verbas públicas. O enredo é sempre o mesmo, pois ao lado dos movimentos sociais se encontra a UNE, e do outro lado se encontra a aliança Demo-Tucana, que tem a imprensa monopolista como grande porta-voz.

A imprensa brasileira não quis informar à sociedade que o apoio da Petrobras se deu também no 50º Congresso da UNE, realizado em 2007. Neste encontro, a entidade levou, em parceria com a Coordenação dos Movimentos Sociais, mais de 8 mil estudantes às ruas exigindo o "Fora Meirelles", demarcando a sua posição de discordância com a política econômica do Governo Federal e a sua autonomia política, que é constantemente reafirmada na política de boicote ao ENADE, nas críticas à política de comunicação e nas exigências de se avançar cada vez mais nos investimentos e democratização da Universidade brasileira, derrubando, por exemplo, os vetos dados pelo Governo FHC ao Plano Nacional de Educação e a manutenção da Desvinculação da Receita da União na área da educação.

As críticas e a perseguição por parte da imprensa são resultados sobretudo da política acertada da entidade e das resoluções aprovadas no Congresso. Ocorrem porque a imprensa das elites brasileiras é contra a inclusão do setor privado no Sistema Nacional de Educação e a ampliação de vagas nas Universidades Públicas, em especial para os negros e negras filhos da classe trabalhadora; é contra a luta pela autonomia das mulheres e obtêm lucro com a mercantilização de seus corpos e suas vidas; é contra a realização da Conferência Nacional de Comunicação e a construção de um sistema público de comunicação; é contra a abertura dos arquivos da ditadura militar, porque se encontra envolvida com os porões da chamada "ditabranda", conforme editorial da Folha de São Paulo; e, acima de tudo, ataca a Petrobras e a UNE por ser contrária à criação de uma Estatal para a exploração da camada pré-sal com seus lucros voltados prioritariamente para educação, saúde e desenvolvimento social.
À imprensa conservadora resta a UNE responder: se assim não fosse, estaríamos preocupados, se estivessem contentes, estaríamos no caminho errado. Vida longa aos 72 anos de luta e combatividade da União Nacional dos Estudantes.

*Tiago Ventura é Vice-Presidente da UNE e Joanna Paroli é Diretora da UNE, ambos eleitos no 51º CONUNE

Postado originalmente: Carta Maior

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Cai a máscara: para EUA, não houve golpe em Honduras! Foi o que, então? Um pic-nic?

por Rodrigo Vianna, em Escrevinhador

O jornalista Izaías Almada traduz, para nossos leitores, importante artigo publicado no site Rebelión - http://www.rebelion.org/.

Trata-se de notícia ainda pouco divulgada: o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA (equivalente do nosso Itamaraty) disse, em entrevista coletiva, que "não houve golpe em Honduras". E mais: afirmou que o episódio "deve servir como lição" para Zelaya, numa referência à proximidade entre o presidente deposto de Honduras e o presidente da Venezuela, Hugo Chavez.

Estamos diante de um quadro perigosíssimo. Obama diz uma coisa. Mas a máquina da direita, que domina o governo dos EUA, opera no sentido oposto.

Leiam o artigo, e tirem suas conclusões

====

Artigo da advogada e pesquisadora Eva Gollinger para o site Rebelión.org

Após três semanas de um discurso ambíguo por parte de Washington sobre o golpe de Estado em Honduras, finalmente a diplomacia norte americana declarou que não considera o que se passou naquele país como um golpe de Estado. Foi o que disse o porta voz do Departamento de Estado, Phillip Crowley, numa conferência de imprensa em Washington., no último dia 20. Um jornalista perguntou se o governo norteamericano considerava os acontecimentos em Honduras como um “golpe de Estado”, ao que o porta voz respondeu com rotundo “Não”.

Nas últimas semanas, desde que se deu o nefasto golpe de Estado em 28 de junho, o Departamento de Estado se negou a responder com clareza sobre o que pensa da situação. Desde o primeiro dia, a Secretária de Estado Hillary Clinton não reconheceu os acontecimentos como sendo um “golpe” e nem exigiu claramente a restituição do presidente Zelaya ao poder. Em todas as suas declarações a respeito sempre se refere às “duas partes do conflito”, legitimando assim aos golpistas e tornando responsável ao presidente Zelaya.

Desde então, apesar das diversas referências ao “golpe” de Honduras, o Departamento de Estado se negou a qualificar de golpe de Estado, o que o obrigaria a suspender toda classe de apoio econômico, diplomático e militar ao país. Em 1º de julho, os porta vozes do Departamento de Estado explicaram desta maneira: “Em referência ao próprio golpe, o melhor seria dizer que foi um esforço coordenado entre os militares e alguns grupos civis.”

De início, os porta vozes do Departamento de Estado disseram que seus advogados estavam “analisando” os fatos para chegarem a uma conclusão sobre se o que realmente havia ocorrido em Honduras era um golpe de Estado. Contudo, após a reunião entre a Secretária Hillary Clinton e o presidente Manuel Zelaya, no dia 7 de julho, a diplomacia norte americana se negou a opinar sobre o assunto para não “influir” no processo de “negociação” posto em marcha por Washington.

Entretanto, a segunda-feira, 20 de julho, foi um dia esclarecedor. Admitiu-se perante o mundo que Washington não considerava que havia ocorrido um golpe de Estado em Honduras. Assumindo esta postura, o governo dos Estados Unidos se junta ao regime golpista de Honduras e seus aliados, a maioria dos quais é composta por antigos golpistas ou agentes da inteligência estadunidense.

A União Européia, as Nações Unidas, a Organização dos Estados Americanos e todos os países da América Latina rejeitaram os acontecimentos em Honduras e disseram tratar-se de um golpe de Estado. A administração de Obama se isola com os golpistas ao negar o golpe, legitimando – desta maneira – o afastamento do presidente Zelaya.

Que isto sirva de lição a Zelaya e aos demais

Durante a mesma conferência de imprensa do dia 20 de julho, o porta voz Phillip Crowley disse ainda algo mais revelador sobre a posição de Washington diante dos fatos ocorridos em Honduras. Perguntado sobre uma suposta ruptura entre o governo venezuelano e o presidente Zelaya a propósito do processo de negociação na Costa Rica, Crowley disse o seguinte: “Acreditamos que se tivéssemos que eleger um modelo de governo e um líder na região para que os demais países o seguissem, a atual liderança da Venezuela não seria o modelo indicado. Se esta é a lição que o presidente Zelaya aprendeu com esse episódio, então terá sido uma boa lição.”

Essa declaração de Washington confirma que o golpe de Honduras é um esforço para acabar com a ALBA e o bolivarianismo que cresce e se amplia em toda a região. Crowley também afirma que o golpe contra Zelaya é uma mensagem a outros governantes da América Latina que estão estreitando seus vínculos com a Venezuela. É como dizer a esses governantes: “se vocês se aproximam da Venezuela, poderão ser derrotados por um golpe de Estado ou outro tipo de agressão”, que seria respaldada por Washington e justificada como uma medida para livrar a região da “ameaça chavista”

Um jornalista insistiu no assunto e perguntou ao porta voz do Departamento de Estado:
“Quando disse que o governo venezuelano não deve servir de exemplo de governo para outros líderes...” Cinicamente Crowley interrompeu o resto da pergunta e acrescentou: “Creio que me expressei com muita clareza...”

Devido às implicações da resposta, o jornalista insistiu: “Pode repetir?... É como justificar o golpe de Estado, porque o senhor está dizendo que se algum governo tentar seguir o modelo socialista de governo da Venezuela, seria justo derrubar esse governo? Pode explicar sua declaração sobre a Venezuela?

Crowley respondeu à pergunta do jornalista com um silêncio de cumplicidade. Em seguida, aproveitou o momento para agredir a Venezuela: “Temos preocupações sobre o governo do presidente Chávez, não somente sobre o que tem feito em seu próprio país – perseguir a imprensa, por exemplo – e os passos que tem dado para limitar a participação e o debate dentro do seu próprio país. Também estamos preocupados com os passos que ele tem dado em relação a alguns de seus vizinhos... e a intervenção que temos visto por parte da Venezuela em relação a outros países, Honduras por um lado e a Colômbia por outro. E quando temos diferenças com o presidente Chávez, somos muito claros a respeito.”

Sem dúvida, estas últimas declarações de Washington confirmam seu apoio ao golpe de Estado em Honduras e sua motivação por trás dos acontecimentos. A lição que está dando Washington com este golpe é uma declaração de guerra à Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA) e em especial contra a Venezuela.

Seus ataques se intensificam tanto contra a Venezuela e também contra o Equador e a Bolívia. Com o recente acordo entre o presidente Obama e o presidente Uribe da Colômbia, para o aumento da presença militar estadunidense na América Latina, a nova administração de Washington reafirma que a batalha entre a paz e a guerra continua e que a luta pela libertação dos povos latino americanos da brutal mão do império está apenas começando.

Temporão, gripe suína e mídia: "Clima de insegurança ou medo não é bom conselheiro'

postado no blog vi o mundo

por Conceição Lemes

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, concedeu ontem uma longa entrevista sobre influenza A,ou gripe A, popularmente conhecida como gripe suína, à EBC (Empresa Brasil de Comunicação). Foi durante o programa Bom Dia, Ministro.

"Esse é um momento, onde a imprensa, a TV e os jornais tem grande responsabilidade de informar, educar, orientar a população", alertou Temporão. "É para a gente não crie um clima de insegurança ou de medo, que não são bons conselheiros."

Durante 59m e 42s, Temporão respondeu as dúvidas de âncoras de emissoras de rádio do Brasil inteiro.

Eis alguns trechos:

Comportamento da doença: Embora seja uma nova doença, que traz dúvidas, interrogações e insegurança, o seu comportamento na prática tem semelhanças muito grandes com da gripe comum. Seja do ponto de vista dos sinais, dos sintomas da letalidade, do tratamento e das medidas de prevenção.


Grupos de risco: São em geral crianças muito pequenas, idosos, mulheres grávidas, pessoas que tem principalmente doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, bronquite, enfisema, asma. Também pessoas que se tratam de doenças que reduzem a imunidade do organismo, como câncer, pessoas que fazem quimioterapia ou que fizeram transplantes de órgãos, e por isso estão tomando medicamentos para evitar a rejeição.

Medicamentos: Só a partir do dia 8 de julho é que nós declaramos que o vírus circulava livremente no Brasil. Até então nós tínhamos um número pequeno de casos e um número muito pequeno de óbitos. Esse começo é o que eu chamo de fase um. Foi a fase de contenção de impedir que o vírus circulasse no Brasil. E nós obtivemos grande sucesso, afinal de contas durante 80 dias impedimos a circulação do vírus. Agora, nós estamos distribuindo 50 mil tratamentos. Em nenhum momento faltou medicamentos. E não faltará, porque nós temos nove milhões de tratamentos estocados na Fundação Oswaldo Cruz, prontos para serem distribuídos.

Estados do Sul: A grande preocupação nesse momento é evidentemente com a situação dos estados do Sul, onde as baixas temperaturas durante essa época do ano facilitam muito a propagação das doenças respiratórias, entre elas essa nova virose. Essa preocupação também se estende a São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais. A situação nos estados da região Centro-Oeste, Nordeste e Norte é bastante distinta, até pelas especificidades climáticas que ajudam um pouco. Isso não quer dizer que a doença não possa contaminar um grupo de pessoas dessas regiões.

Medicamento na farmácia: Em nenhum momento houve uma solicitação formal ou uma determinação do Ministério da Saúde de que o laboratório retirasse o produto das farmácias. Isso não aconteceu. Entretanto, do ponto de vista prático, imagino que há uma gigantesca demanda mundial por esse medicamento e o laboratório está tentando atender todos os pedidos. Assim, o medicamento não é encontrado hoje nas farmácias.

Outro aspecto. O fato do medicamento não estar disponível nas farmácias é extremamente positivo, e vou te explicar por quê. Numa situação como essa, mesmo que exigíssemos que o medicamento fosse prescrito por um médico, ou seja, houvesse exigência de receita médica para a venda, a cultura da automedicação é muito forte no Brasil. O que levaria a uma corrida das pessoas às farmácias na falsa ilusão de que comprando o remédio estariam se protegendo de alguma forma. Nós teríamos pessoas tomando medicamento sem indicação, automedicando-se, e ficando gravemente doentes por efeitos colaterais do remédio. O remédio não é isento de efeitos colaterais. E o mais grave é que quanto mais você coloca o vírus em contato com o medicamento maior a probabilidade de que esse vírus sofra uma mutação e apresente resistência ao remédio. E, aí, tem uma questão muito grave que é a seguinte: nesse momento em que não temos ainda uma vacina, a única arma contra essa doença é apenas esse remédio. Se o vírus desenvolve resistência a esse medicamento, nós ficaríamos numa situação dramática, crítica.

Prevenção: Existem medidas de prevenção que ajudam a nos proteger. O vírus está dentro das pessoas. Então, quando a pessoa tosse ou espirra, ela projeta microgotículas no ambiente, e dentro destas microgotículas está o vírus. Se você estiver perto, bem perto desta pessoa, você pode inspirar essas microgotículas. Mas elas podem também se depositar sobre superfícies. Existem estudos mostrando que o vírus sobrevive nessas situações entre 24 a 72 horas. Ora, é muito comum, muito provável que você toque algumas dessas superfícies. Então, a medida mais importante é lavar as mãos com água e sabão várias vezes ao dia. A segunda, para as pessoas que estão resfriadas ou gripadas, é o uso do lenço descartável ao tossir e espirrar, cobrindo o nariz e a boca. A terceira medida é não compartilhar alimentos, copos, talheres, pratos, objetos de uso comum. E, uma quarta medida, tentar estar em ambientes arejados.


Exames laboratoriais: Em num primeiro momento, o Brasil se preparou para impedir que o vírus entrasse e circulasse. Nós conseguimos isso durante 80 dias. Nessa etapa, era muito importante que em todos os casos suspeitos fosse feito exame laboratorial, porque havia necessidade da certeza de que aquele caso era ou não causado pela nova gripe. Era um trabalho obsessivo de rastreamento de todos os contatos. Mas quando nós percebemos que em um caso de São Paulo não foi possível estabelecer um vínculo entre o caso confirmado e alguém que tinha vindo de fora, deixou de fazer sentido o exame diagnóstico de certeza em todos os casos. A própria Organização Mundial de Saúde orienta os países dessa forma. Na atual fase, o teste deve ser feito apenas em duas situações. Primeira: o Brasil tem uma rede de 68 centros de referência, que colhe material das pessoas com síndrome gripal. Para que isso? Para que a gente possa estar monitorando se o vírus está circulando e aonde ele está circulando. Segunda: todos os casos graves e todos os casos que forem a óbito terão material colhido e o exame de certeza ser realizado. Por quê? Porque nós temos que monitorar as características do vírus, se ele está ficando mais grave ou se em alguns casos estão aparecendo de maneira diferente.

Exame versus tratamento: Não há nenhuma relação entre o exame de confirmação -- se a pessoa tem o vírus da gripe sazonal ou o da nova gripe -- do ponto de vista de diagnóstico, clínico ou de tratamento. Ou seja, eu não preciso ter a certeza de diagnóstico para atender a pessoa, fazer o diagnóstico clínico -- que é por sinais e sintomas -- e tratar adequadamente, porque o mesmo remédio que eu uso para tratar a gripe sazonal, eu uso para tratar a nova gripe. Então, eu chego a um médico com um quadro de gripe hoje. Para ele não tem mais importância se é uma gripe comum ou se é uma nova gripe. É uma gripe. Ele vai avaliar e vai ver se você está dentro do critério de grupo de risco, vai ver se você está com uma gripe branda que vai se resolver sozinha, vai te orientar a ficar em casa, repousando, não ir trabalhar, não ir à escola, porque você estaria passando a gripe comum ou a outra para outras pessoas. Se a pessoa está num quadro um pouco mais grave ou se enquadra no grupo de risco, vai tomar um medicamento específico. Então, é por esse motivo que nesse momento em nenhum país do mundo se faz mais o exame laboratorial para todos os casos.

Comportamento do vírus: A própria Organização Mundial de Saúde recentemente declarou que não há nenhuma percepção de que há mudança de comportamento de vírus ou da sua estrutura. Ou seja, o vírus se mantém estável; ele não sofreu nenhuma mutação e tem uma letalidade bastante semelhante à da gripe comum.

Sintomas e orientações: O principal deles é febre acima de 38 graus. O segundo é tosse, que pode vir acompanhado também de dor de garganta, dores musculares, dores nas articulações e dificuldade respiratória ou cansaço pra respirar. Então, se você tem qualquer um desses sintomas, a orientação é procurar um serviço de saúde, não procurar um hospital. A rede de hospitais -- nós temos cerca de 900 leitos equipados pra atender os casos mais graves -- deve atender os casos que necessitam de internação, os casos mais graves. Se a pessoa tem os sintomas, ela deve procurar, o seu médico do plano de saúde. Se ela usa o Sistema Único de Saúde, o serviço que ela usa normalmente. Procure a equipe de Saúde da Família, o centro de saúde, o posto de saúde, o ambulatório, a policlínica ou a unidade de pronto-atendimento 24 horas.

Vacina: Algumas pessoas que perguntam 'cadê a vacina? ' O problema é o seguinte: neste momento, ainda não existe uma vacina. O processo de produção de uma vacina contra a gripe demora entre quatro a seis meses, pelo menos. Ela tem que ser testada em pessoas. Porque podem surgir efeitos colaterais inesperados. Ela pode não proteger adequadamente. Então, nós temos que ter segurança total de que a nova vacina vai proteger e não causar mais complicações. Qual é a expectativa? Entre outubro e novembro, é provável que já existam algumas vacinas que estariam sendo utilizadas pelos países do Hemisfério Norte, porque lá vai está começando o inverno. O Brasil está fazendo o quê? Estamos em contato com todos os laboratórios que estão trabalhando para ter uma vacina, já estamos perguntando o preço e ofertas de doses. E o Instituto Butantan, em São Paulo, tem capacidade industrial e tecnologia pata fazer a vacina e, com certeza, será um dos laboratórios que vai fazer. O Brasil terá essa vacina para proteger a população no ano que vem.

Se quiser ouvir a entrevista do Ministério Temporão na íntegra, o áudio está aqui.

A todos, recomendamos este vídeo.

Se começar a embarcar na onda terrorista da mídia corporativa, leia ou releia'Reportagem da Folha sobre gripe suína é totalmente furada; uma irresponsabilidade.'

Se ainda tiver alguma dúvida sobre a nova gripe, deixa-a em comentários. Um técnico do Ministério da Saúde irá respondê-las.