domingo, 18 de dezembro de 2011

Sanguessugado do blog O Terror do Nordeste

"Maior assalto de sempre".Essa é boa. Oi! mas o PiG não diz que o maior escândalo foi o do Mensalão? O PiG(leia seus jornalistas) deve estar morrendo de vergonha.

Por Filipe Paiva Cardoso, publicado em 17, no iOnline

Privataria. Livro denuncia “maior assalto de sempre” nas privatizações do Brasil
José Serra e Carlos Jereissati são dos nomes mais referidos. O agora parceiro da Portugal Telecom terá pago subornos para garantir uma boa fatia das privatizações de telecoms no Brasil
 
É o retrato de um Brasil que já não se vê há muito na imprensa internacional, focada nos indicadores sobre a pujança do país. Espionagem, facadas nas costas, offshores, tiros, subornos, privatizações a desbarato... O livro concentra-se n’“a Era das Privatizações, sob a égide do presidente Fernando Henrique Cardoso”, sobretudo na área das telecomunicações, e descreve com nomes, datas e documentos os vários caminhos dos subornos que terão decidido as maiores privatizações brasileiras.

Resultado de mais de dez anos de investigação do jornalista Amaury Ribeiro Jr., os documentos dados à estampa implicam vários nomes, incluindo José Serra – ministro do Planeamento de Henrique Cardoso e ex-candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) à presidência do Brasil – ou Carlos Jereissati, um dos grandes vencedores das privatizações e hoje parceiro da Portugal Telecom através da Oi. São ainda ligados os pontos entre movimentos de dinheiro de offshores, aumentos de capital e pagamento de “propinas”.


Com um título baseado num termo criado pelo jornalista brasileiro Elio Gaspari, “que casou com felicidade os vocábulos ‘privatização’ e ‘pirataria’”, como explica Amaury Ribeiro Jr., o livro chegou às bancas no fim-de-semana passado e os 15 mil exemplares voaram.

Ao longo de 344 páginas, o autor começa por explicar como a sua carreira o guiou até aos meandros da política – alvejado depois de denunciar uma rede de tráfico foi obrigado a desaparecer das ruas. Na política descobriu um mundo de “crime sem sangue” que o empurrou para os meandros da “baixa política”. Depois, explica como José Serra usou dinheiro público para ir afastando quase todos os seus adversários políticos, incluindo Aécio Neves, que também queria o lugar de candidato do PSDB à presidência do Brasil. E aqui chega ao prato principal: privatizações, corrupção activa e passiva, favorecimento ilegal, manipulação da comunicação social, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. Segundo o autor, vários amigos e parentes de José Serra mantiveram empresas em paraísos fiscais entre 1993 e 2003 com o fim de movimentar e disfarçar dezenas de milhões de dólares que terão servido para pagamento de subornos aquando das privatizações no Brasil. Operações com várias ramificações e mãos.

Sobre Jereissati, as acusação são mais que muitas. A troca de avultadas somas de dinheiro entre as offshores deste empresário e as de Ricardo Sérgio de Oliveira (ex-tesoureiro de Serra) são corroboradas com documentos que permitem ao jornalista concluir: “A conexão entre Infinity [empresa nas ilhas Caimão] e Jereissati ratifica, pela primeira vez, aquilo que sempre se suspeitou, mas que nunca havia sido comprovado: que o ex-tesoureiro das campanhas do PSDB [Ricardo Sérgio de Oliveira] recebeu propina de Jereissati, um dos vencedores no leilão da privatização da Telebrás. Por meio do consórcio Telemar, Jereissati adquiriu a Tele Norte Leste e passou a controlar a telefonia de 16 estados.” Telebrás, Telemar e Tele Norte Leste são algumas das empresas que deram origem à Oi, a aposta brasileira da Portugal Telecom. A Oi detém 7% do capital da PT – através da Telemar Norte Leste. “A comprovação de que Jereissati é o dono da Infinity Trading está estampada em documento oficial. Consta do Relatório 369, da Secretaria de Acompanhamento Econômico, do Ministério da Fazenda, também encaminhado à Justiça. Oculto até agora nos porões do Tribunal de Justiça de São Paulo, o relatório e outros papéis inéditos da CPMI [Comissão Parlamentar Mista de Inquérito] do Banestado [banco do Estado do Paraná envolto num escândalo de remessas ilegais de dinheiro público] confirmam a vinculação. A Infinity, de Jereissati, favoreceu a Franton, de Ricardo Sérgio, com dois depósitos. O primeiro, de 18 de Janeiro de 2000, somou precisamente US$ 246.137,00. E o segundo, no total de US$ 164.085,00, aconteceu em 3 de Fevereiro do mesmo ano”, acusa o livro.

Reacções A editora define o livro como a prova final “do maior assalto ao património público brasileiro” de sempre, prometendo que o mesmo é “uma grande reportagem que vai devassar os subterrâneos da privatização realizada no Brasil sob o governo de Fernando Henrique Cardoso.” Já o jornalista pede atenção aos brasileiros: “Será gratificante se, depois da última página, o leitor mantiver seus olhos bem abertos. É uma boa maneira de impedir que aqueles que já transformaram o público em privado para seu próprio proveito tentem reprisar [repetir] o que foi feito na era da privataria.”

As reacções ao livro têm sido agressivas. “Trata-se de uma colecção de calúnias que vem de uma pessoa indiciada pela Polícia Federal. Isso é crime organizado fingindo ser jornalismo”, reagiu ontem a assessoria de imprensa de Serra. Já Jereissati e Ricardo Sérgio de Oliveira preferiram não fazer comentários. “Nunca perdi um processo, e já tive muitos”, lembrou o autor do livro, depois das reacções iniciais.

Em termos práticos o livro também já deu que falar: um deputado brasileiro já recolheu as 173 assinaturas necessárias para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar todas as acusações do livro. Agora, é esperar para ver.

Alguns jornalistas e algo mais do que o simples medo de perder o emprego

Por LEN*

Depois de seis dias tentando ignorar infrutiferamente o caso“Privataria Tucana” e percebendo que estava sendo atropelada pelos fatos, a grande imprensa resolveu falar sobre o assunto.

A princípio, de forma esquizofrênica, as notas faziam apenas eco às declarações de tucanos reclamando do livro, mas, ao perceber que dessa forma iriam apenas aumentar a curiosidade do distinto público sobre o assunto, resolveram escrever resenhas, ora desqualificando o autor - um jornalista com três prêmios Esso e quatro prêmios Vladimir Herzog -, ora repletas de conjunções coordenativas adversativas (mas, porém, contudo), usadas para tentar minimizar as acusações contra José Serra e tucanos.

A grande imprensa - que há poucos dias tentava incentivar adesões às passeatas contra corrupção para atingir o governo federal - agora, sem o menor pudor, tenta abafar o maior escândalo de desvio de dinheiro público da história do país, deixando cair a máscara do neo-moralismo, mostrando que a súbita indignação contra corrupção só acontecia porque não atingia os partidos apoiados por esses veículos de comunicação.

Não contavam com um detalhe fundamental: não são mais exclusivos no fornecimento da informação.


E, se um dia já puderam manter abafados casos em que
não havia interesse político na divulgação, hoje a militância virtual e jornalistas independentes se encarregam de fazer circular os fatos proibidos em algumas redações.

Paralelo ao vexame histórico desses veículos de comunicação, jornalistas que trabalham para essas empresas vêm se expondo de forma grotesca em redes sociais.


Desacostumados com o contraditório ao longo de todas as suas carreiras, pois eram protegidos e blindados por um modo ultrapassado de comunicação sem interatividade, ao se defrontarem com contestações de usuários dessas redes, muitos desses jornalistas, se é que posso chamar assim quem desdenha o juramento da profissão e abafa um caso gigantesco de corrupção, enfiam os pés pelas mãos. Algumas reações aos questionamentos chegam a constranger quem os lê.

Há aqueles que acham que esse comportamento vergonhoso se deve ao medo que esses jornalistas supostamente têm de perderem os seus empregos, pois eles podem estar sendo ameaçados pelos empresários da comunicação. Confesso que essa hipótese está cada vez mais distante do razoável.

Jornalistas com décadas de profissão não iriam arriscar de forma irreversível o maior patrimônio que um profissional de mídia deve ter, a sua credibilidade, por um emprego, por melhor que fosse. Na pior das hipóteses, algum deles iria chutar o balde e sair atirando para todo o lado.


Engana-se quem acha que um jornalista experiente possa ser um ente frágil e incompreendido. Não são, . Na verdade são cobras-criadas que também têm suas cartas na manga contra seus editores.

Mas se não é medo de perder o emprego, o que leva jornalistas de renome a arriscarem tudo por uma aberração jornalística sem nenhuma condição de prosperar? Ideologia? Seriam tucanos de coração dispostos a levar seus ídolos ao poder? Muito menos, né? Acho que o buraco é mais embaixo e o problema é sério.

No livro, e em entrevista que deu no seu lançamento, o autor e jornalista Amaury Ribeiro Junior aponta a existência de uma folha de pagamento de jornalistas que trabalham exclusivamente para cumprir objetivos traçados de acordo com a necessidade de criminosos do colarinho branco.

Os jornalistas soldistas trabalham nas grandes redações.


Amaury prestigiou no primeiro livro o esquema Serra, mas promete mergulhar no submundo do jornalismo a serviço de quadrilhas. Ele não é o primeiro a tocar no assunto. Na Operação Satiagraha, o delegado e hoje deputado, Protógenes Queiroz, apontou a existência dessa relação espúria entre jornalistas delinquentes e o banqueiro Daniel Dantas.

Alguns jornalistas, assim como os veículos de comunicação que os empregam, resolveram morrer abraçadinhos com a quadrilha do Serra e única motivação para essa defesa escandalosa da corrupção tucana é o fato que eles preferem deixar as coisas como estão por estarem envolvidos até o pescoço.

Sim, muitos beberam dessa água e não desejam que essa história seja desenterrada a essa altura do campeonato, afinal não são apenas tucanos que têm o rabo preso nessa história, mas todos os que se beneficiaram, direta ou indiretamente, da roubalheira, e que hoje está por aí leve e solto, achando-se com moral para apontar o dedo para outros corruptos que não os seus.

Autor da charge que ilustra o post: Pelicano.

*LEN é editor-geral do Ponto & Contraponto e editor do Terra Brasilis.

Direitos, humanos



por Emir Sader, via Carta Maior

No seminário sobre Direitos Humanos, Justiça e Memória, realizado esta semana na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, organizado pela Faculdade Latinoamericana de Ciencias Sociais (Flacso) e pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, pudemos viver momentos de uma intensidade emocional incomparáveis. Não seria de se estranhar, sabendo o que vários países desde continente viveram em um passado recente, sob regimes militares que implantaram o terror.

Desta vez o momento foi especialmente emotivo porque a ministra Maria do Rosário, em nome do Estado brasileiro, entregou as cinzas de um cidadão espanhol de nascimento e de cidadania venezuelana, chamado Miguel Sabal Nue, aos seus três filhos. A cerimônia foi ainda mais emotiva, porque até recentemente circulava a versão da ditadura militar de que Miguel teria se suicidado. Maria do Rosario expressou aos filhos o pedido de perdão do Estado brasileiro pelo que havia sido feito com seu pai.

A tenacidade de familiares das vítimas da ditadura na pesquisa, permitiu encontrar nos arquivos do Doi-Codi a ficha de Miguel, com a letra T em vermelho, que indicaria que seria um “terrorista”. Apesar de não estar vinculado a atividades de esquerda, de ser um professor, Miguel foi preso, torturado e finalmente assassinado pelos órgãos da ditadura militar. Seus restos foram encontrados em uma das ossadas que foram descobertas e entregues suas cinzas para seus filhos.

Estes expressaram seus sentimentos de filhos que, desde pequenos não tinham podido conviver com o pai e que tinham tudo que conviver com a imagem de seu eventual suicídio, sem poder entender o que havia passado. Claro que nenhuma reparação cura as feridas de uma perda dessas, mas o Estado brasileiro fez o que pode para buscar a verdade do ocorrido e por isso recebeu o reconhecimento dos filhos de Miguel, que disseram que jogariam ao vento do Mont Juic, em Barcelona, de onde era proveniente seu pai, suas cinzas.

O seminário teve outros momentos de grande densidade, pela experiência transmitida por Daniel Filmus, senador e ex-Ministro de Educacao da Argentina, assim como a expoente mais importante da luta dos argentinos pelos direitos humanos, Estela Carlotto, presidente do movimento das Avós da Praça de Maio.

Expressão direta desse movimento foi a intervenção de outro argentino, Juan Cabandié, atual deputado pela cidade de Buenos Aires. Juan é o que se chama lá de neto recuperado, um grupo que já conta com 105 netos, que tiveram sua verdadeira identidade recuperada pelo movimento das Avós. Sao pessoas cujos pais foram presos e assassinados pela ditadura militar, que encaminhou-os as crianças, depois de assassinar seus pais, para outras famílias, que os educaram com identidade falsa.

No caso de Juan, as explicações que lhe eram dadas sobre eles nunca os tinha satisfeito, até que um dia, quando já tinha 25 anos, foi bater na porta da sede do Movimento das Avós e lhes manifestou sua suspeita de que ele seria filho de algum desaparecido. Ao cabo de três anos, Juan teve o retorno, com a identificação dos seus verdadeiros pais e seu nome real.

Seus pais foram um jovem casal de estudantes, ele de 19, ela de apenas 16, presos pela ditadura e executados, assim que ele nasceu, dado que sua mãe foi detida já grávida. Foi a partir desse momento que, segundo o depoimento de Juan, ele recuperou sua liberdade e sua alegria, mesmo sabendo do destino trágico de seus pais nas mãos da ditadura.

Tomar consciência de sua verdadeira identidade era, ao mesmo tempo, tomar consciência política do que a Argentina estava vivendo e havia vivido, o que o levou imediatamente à militância política, por meio da qual ele é hoje um jovem e combativo parlamentar do partido de governo.