domingo, 12 de fevereiro de 2012

Sindicato dos Jornalistas pede a providência divina para evitar assassinato de jornalista no MA

Extraído da BBC Noticias

Além de ignorar a ação dos Homens, ainda pede uma reflexão fraterna ao acusado
Depois de avaliar as circunstâncias e documentos recolhidos, o Sindicato dos Jornalistas lançou na sexta-feira uma nota oficial sobre uma possível ameaça de morte disparada pelo deputado cassado Paulo Marinho contra o jornalista Jotônio Viana.
No exercício de sua profissão ele faz severas críticas a Marinho, que também já foi prefeito de Caxias, cidade onde Viana é correspondente do Jornal Pequeno.
Em tempo, é bom que se diga que a nota oficial sobre o caso revela o quanto o nosso sindicato é de outro mundo.
Uma ameaça de morte, velada ou não, exige uma tomada de posição intransigente na defesa da vida quando colocada em risco pela manifestação de opinião.
E o que faz o sindicato ?
Diz que imcubiu-se de orientar “o jornalista para buscar ali as medidas ainda possíveis neste nosso país espetacularmente entregue ao desprezo com a segurança dos cidadãos…”
Pronto, frase feita. E só.
Sequer procurou a Secretaria de Segurança para pedir garantia de vida ao jornalista, como também cobrar uma investigação célere e rigorosa para o caso.
Mas aí tudo bem, é questão de inoperância.
O pior é  dizer que conta com a providência divina para que não se consuma um novo assassinato de jornalista na cidade de Caxias.
Providência divina ?
(A suposta ameaça de Marinho foi lembrar a Jotônio Viana o assassinato de um jornalista  ocorrido há trinta anos.
Diz que foi tudo armado pela oposição como artimanha eleitoral para lhe jogar a culpa.
Além de vencer a eleição, o crime caiu na impunidade e, segundo a própria nota do sindicato, não foi apurado devidamente. Leia mais sobre o caso no blog do Jonh Cutrim).
Pois bem, além de ignorar a providência dos homens, o nosso síndico não cobra nenhuma explicação a Marinho, mas pede singelamente, uma “fraterna reflexão”.
Seria cômico, se não fosse trágico, um sindicato que só sabe bater nas costas do patrão.
Só Deus salva…

Leia a Nota Oficial do Sindicato dos Jornalistas
NOTA OFICIAL
Depois de avaliadas as circunstâncias e documentações  recolhidas por este Sindicato, relacionadas com o artigo de blog do ex-prefeito de Caxias – Maranhão, e ex-deputado federal, Paulo Marinho,  onde, por meio de relato de fato verídico de assassinato  de jornalista naquele município, há trinta anos,  tendo  ficado impune e não apurado devidamente,  serviu-se, agora, do mesmo fato,  o ex – parlamentar para, tornar pública, uma dissimulada ameaça de morte contra o jornalista Jotônio Viana, correspondente do matutino  Jornal Pequeno.
Por não compactuarmos com a predominância e resquício do período e época do cangaço nordestino, este Sindicato incumbiu-se de orientar o jornalista para buscar ali as medidas ainda possíveis neste nosso país espetacularmente entregue ao desprezo com a segurança dos cidadãos, onde os desajustados gozam de todas as garantias e defesas, em detrimento das pessoas corretas e  daqueles que buscam noticiar os fatos  ainda suportados pela sociedade. Como  as tragédias  acontecem e vão acontecendo por todos os lados,  conta-se com a providência divina para que não se consuma um novo assassinato de jornalista na cidade de Caxias, como prevê e lembra o ex – prefeito Paulo Marinho, a quem pedimos uma  fraterna reflexão .
São Luís (MA), 10 de fevereiro de 2012
A Diretoria

Fonte: Blog do Garrone
BNC Maranhão


A história já o absolveu

Via Outras Palavras

Baltasar Garzón foi condenado por herdeiros da Santa Inquisição. Este homem digno, que poderosos odeiam, é um cidadão do mundo
Por Mario Wainfeld, do Página12, em Buenos Aires
O condenado é espanhol – andaluz, para maior precisão. Percebe-se por sua fala, seu modo de pronunciar certas consoantes ou quando fala de “libertáz” ou de “dignitáz”. Gosta de futebol (foi goleiro na juventude e às vezes reincide) e também dos touros. É uma referência da justiça mundial, um exemplo de consciência em muitos países – por exemplo, nestas pampas.
A reivindicação dos direitos humanos na Argentina teria chegado ao ponto atual sem a intervenção fidalga de Baltasar Garzón? Este cronista supõe que não, mas trata-se de hipótese. O indiscutível é que Garzón é parte da busca de justiça diante do terrorismo de Estado; que merece um capítulo, ou algo mais. Que é um modelo para as militâncias mais nobres da nossa história. Em termos jurídicos, um criador notável de jurisprudência, que influenciou muita gente por aqui.
* * *
A década de 1990 não foi obscura apenas pela entrega do patrimônio nacional e pelo desmantelamento do estado de bem-estar social. Também assistiu a um retrocesso fenomenal na odisseia em favor da memória, verdade e justiça. A aparição do magistrado que reabriu as causas encerradas aqui por estultice, obediência devida e indultos, dinamizou os movimentos por direitos humanos. Deu nova voz às vítimas, acostumou-as a um peregrinar por tribunais de várias paragens do globo. Foi o pioneiro, o mais decidido. Que cada um decida se foi o melhor. Está entre eles.
Sucessivos governos argentinos deram-lhe as costas com argumentos banais e covardes. O governo Menen, por razões evidentes. A Aliança que veio em seguida o copiou, ainda que eleito tivesse prometido purificar o país e lutar contra a corrupção. O senhor juiz pediu extradições, foram-lhe negadas. A Argentina já não era apenas garantia da impunidade dos genocidas. Tornara-se a base da qual estes não podiam sair, para não ser levados ao banco dos réus.
O ditador Augusto Pinochet foi menos prevenido
* * *
Assim que soube que Pinochet “parava” em solo britânico, Garzón correu ao escritório e começou a escrever um pedido de extradição. Corria contra o relógio, devia agir em sigilo. Convocou apenas um funcionário de sua vara, começou a ditar-lhe, febril, o texto da ordem. Precisava ser veloz e rigoroso. Não lhe interessava a repercussão fácil, mas a prisão do criminoso. Num momento, já de madrugada, seu colaborador, impressionado, perguntou: “Senhor, este homem de que estamos tratando é aquele que imagino”? O cronista escutou esta história do mesmíssimo juiz que a reportou, rindo, porque tem sentido de humor e ama o que faz – ou fazia.
O Parlamento britânico admitiu a extradição. A sessão dos lordes foi transmitida pela TV argentina. O cronista, que a assistiu, emocionou-se, escorregou para suas memórias locais. As vítimas, os companheiros que já não estão, as Mães e Avós. Nesta tarde, na reunião de fechamento de Página 12, brindou-se com champagne. Creia-me, leitor, não o fazemos todas as semanas, nem todos os meses, nem todos os anos.
Um juiz espanhol com culhões e consciência de que persegue (em boa lei) um ditador chileno. A autoridade política de outro país intervindo. A repercussão na Argentina. O exemplo é, para este escriba, uma boa vinheta do que é a Justiça universal.
* * *
Em 2003, numa Argentina com governo (muito) diferente, Garzón voltou à carga. A reação do presidente Nestor Kirchner não foi um nacionalismo de opereta, nem uma chicana baseada em questões de competência judicial. Foi acelerar o que já tinha em mente: a revogação das leis de impunidade. A restauração da Justiça. As vítimas sobreviventes puderam repetir seus testemunhos em tribunais competentes.
Haviam passado menos de dois anos desde a queda de Fernando de la Rúa. A mudança nada teve a ver com o vento de proa ou o preço das commodities. Foi política pura: outra posição ideológica, outro compromisso com as instituições e as leis. Cada um avaliará quanto pesou a obra de Garzón. Ninguém poderá negar que muito.
* * *
Meteu-se com criminosos de toda laia: os terroristas de Estado da América do Sul, o ETA, os para-policiais de seu país. Quando quis explorar os crimes do franquismo, transpôs um limite. Não o perdoaram. Assediaram-no com causas sacadas de tribunais menores, que o odeiam. Esta semana, veio a condenação num deles.
A cena de um tribunal desdenhoso, muito inferior à pessoa que condena, é um clássico da história universal. A lista de acusados é interminável, mencionemos alguns: Sócrates, Galileu, Nelson Mandela. Não são casos idênticos, mas há um padrão comum. A pena imposta a Garzón é tremenda, uma afronta universal: acabaram com sua carreira como magistrado, nada menos.
Quando Fidel Castro era um jovem revolucionário, levantado em armas contra a ditadura de Fulgencio Batista, foi preso e levado diante de um tribunal. Sua defesa célebre terminava com frases indeléveis: “Tenho pena de vossas honras e compadeço da mancha sem precedentes que recairá sobre o Poder Judiciário (…) Condenai-me, não importa, a história me absolverá”.
A Garzón, a história já absolveu, refutando os juízes que o condenaram, dignos herdeiros da Santa Inquisição. Este homem digno é um exemplo, uma referência luminosa muito além da Espanha. Um cidadão do mundo, que soma a outros méritos ser um importante protagonista da melhor história argentina.

Termina a greve da PM na Bahia

Pescado no blog do Miro

Por Altamiro Borges

Em assembléia encerrada hoje à noite (11), os polícias militares da Bahia decidiram retornar ao trabalho, após 11 dias de greve que abalaram o estado e geraram fortes tensões políticas. Segundo a Agência Estado, “o governo aceitou o pagamento imediato da Gratificação de Atividade Policial IV, antes programada para novembro”. Já a GAP-V será paga em março de 2013.



Os policiais também conquistaram reajuste de 6,5%, retroativos a janeiro deste ano. Segundo os órgãos do governo estadual, nos últimos anos a categoria obteve ganho real, acima da inflação, de cerca de 30%. Quanto à anistia dos grevistas, “a categoria decidiu abrir mão da revogação das prisões dos lideres, entre eles o ex-soldado Marco Prisco”, informa a Agência Estado.

Decisão não elimina os problemas

Com o fim da greve, o comando da PM garantiu o policiamento para o Carnaval de Salvador, que estava sob forte ameaça. Mais de 15 mil policiais estarão nas ruas nos dias da folia. O Carnaval ainda poderá contar com a presença dos soldados do Exército, caso a presidenta Dilma Rousseff julgue necessário para garantir a segurança dos foliões.

A conclusão da greve na Bahia e seu aparente esvaziamento no Rio de Janeiro, porém, não encerram os problemas. Prossegue o impasse sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC-300), que garante o piso salarial unificado em todo o país. Também há problemas relacionados à modernização e à integração das forças policiais e aos recursos dos estados para investir no setor.

Direito de greve e vandalismo

Além disso, há o polêmico debate sobre a paralisação dos contingentes armados, com a retomada da cruzada da direita nativa para proibir as greves nos chamados “serviços essenciais” – que não são considerados “essenciais” nos quesitos salário e condições de trabalho. A pressão da mídia patronal para que o governo Dilma Rousseff apresente um projeto retrógrado, anti-sindical, é violenta.

Por fim, no caso da Bahia, será preciso investigar com rigor as denúncias sobre atos de vandalismo praticados durante a greve, que prejudicam a própria luta da categoria por suas justas reivindicações. Há informações preocupantes sobre chacinas de mendigos patrocinadas por policiais para criar o clima de terror cidade. Se confirmadas, os “policiais-bandidos”, segundo a dura expressão do governo Jaques Wagner, devem ser duramente punidos, até como lição democrática para futuros e inevitáveis embates.