terça-feira, 8 de dezembro de 2009

As 'Realizações' do governo FHC!


Abaixo, relaciono algumas das principais 'realizações' do governo FHC.

1) Recorreu 3 vezes ao FMI, emprestando US$ 86,5 Bilhões apenas entre 1998/2002;

2) Acumulou um déficit comercial de US$ 8,7 Bilhões em 8 anos;

3) A taxa Selic chegou a 45% ao ano em Março de 1999;

4) A dívida pública aumentou de 30% (2002) para 55,5% do PIB (2008);

5) Os salários do funcionalismo público federal foram brutalmente arrochados, ficando 8 anos sem qualquer reajuste;

6) Os movimentos sociais foram criminalizados, principalmente o MST, com os quais o governo FHC recusava-se a dialogar;

7) Deu-se total prioridade para as relações diplomáticas e comerciais com os países ricos (incluindo a defesa da adesão do Brasil à ALCA e abandonando o Mercosul e o projeto de integração latino-americana);

8) O governo FHC condecorou o Ditador peruano, Alberto Fujimori;

9) O governo FHC apoiou o Golpe de Estado contra Hugo Chávez em Abril de 2002;

10) O volume de crédito na economia não passava de 22% do PIB em 2002;

11) O déficit público era de 4% do PIB em 2002;

12) A dívida externa representava 45% do PIB brasileiro em 2002;

13) O valor do PIB foi de apenas US$ 459 Bilhões em 2002, fazendo com que o Brasil fosse apenas a 2ª. Maior economia da A.Latina, ficando atrás do México, e se tornando apenas a 15ª. Maior economia do mundo;

14) O governo FHC, através de uma portaria assinada no final de 1998, proibiu o governo federal de construir escolas técnicas;

15) Privatizou dezenas de empresas estatais (como a Vale do Rio Doce, por exemplo) por valores extremamente reduzidos e que foram vendidas para grandes empresas privadas, nacionais e principalmente estrangeiras, e ainda financiou as privatizações dinheiro público, através de empréstimos do BNDES, com juros subsidiados;

16) Tentou alugar a Base de Alcântara para o governo dos EUA. O acordo previa que os brasileiros não poderiam entrar em grande parte da Base, que ficaria sob o controle direto dos EUA.


Com tudo isso, ainda existem pessoas que dizem que o governo Lula foi uma continuidade do governo FHC e que, por isso, teria feito um governo tão bom.

Mas, como isso poderia ser verdade, se o governo Lula não fez nada disso que está relacionado acima?

Do blog
Guerrilheiro do Entardecer

Se gritar pega ladrão...

'Castelo de Areia' envolve seis partidos


Caio Junqueira e Vandson Lima
Valor Econômico - 08/12/2009

O Ministério Público Federal em São Paulo elencou ontem obras suspeitas de irregularidades envolvendo a construtora Camargo Corrêa e diversas autoridades dos governos federal, paulista e municipal de São Paulo, tanto do Executivo como do Legislativo.

O que embasa os pedidos de investigação são documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a Operação Castelo de Areia. De acordo com o Ministério Público, "os documentos levantam suspeitas da prática de corrupção ativa e passiva, crimes financeiros, além de atos de improbidade administrativa e eventuais ilícitos eleitorais", ressaltando que "menções a pagamentos a autoridades com prerrogativa de foro ocorrem na maioria das obras".

O MP encaminhou as representações para os órgãos que considera competentes para prosseguirem com a apuração. À Procuradoria Geral da República, em Brasília, foram remetidos pedidos de investigação contra integrantes do Tribunal de Contas da União (TCU), Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), dois senadores (um do PSB e outro do PCdoB), três deputados federais (dois do PSDB, outro do PR), membros do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, uma candidata do PT a deputada estadual no Paraná, diretor de engenharia da autarquia paulista Desenvolvimento Rodoviário SA (Dersa) e um integrante do PMDB.

À Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo, foram remetidos os pedidos que relacionam o secretário de Habitação da Prefeitura de São Paulo, um assessor especial da Prefeitura de Jundiaí, a Companhia de Abastecimento de Água de Campinas (Sanasa), o secretário de Planejamento de Campinas, membros e presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo, o secretário de Infraestrutura Urbana e Obras da Prefeitura de São Paulo e o secretário-geral do Democratas (sem citar de qual diretório), um auditor e conselheiro do Tribunal de Contas de São Paulo, um integrante do Ministério Público do Estado e da Polícia Civil do Estado de São Paulo e dois diretores de Furnas.

À Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro, foi remetido um pedido de investigação de suposto envolvimento de secretário de Estado do Rio de Janeiro ligado ao Metrô. Diretores do Dnit foram mencionados ao Ministério Público do Distrito Federal. Houve ainda pedido de abertura de inquérito sobre outros executivos da Camargo Corrêa, por crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

O MP divulgou, porém, apenas os cargos, sem relacionar as pessoas. No quadro ao lado, o Valorinforma quais pessoas ocupam esses cargos atualmente. Como o inquérito corre em segredo de Justiça, não há como confirmar sua citação na representação. Todos os citados foram procurados pelo Valor.

O Ministério Público encaminhou ainda à Procuradoria Eleitoral de São Paulo uma planilha apreendida na qual constam nomes de políticos que teriam recebido contribuições eleitorais irregulares entre 1995 a 1998. Segundo informações divulgadas pelo jornal "O Estado de S. Paulo", o secretário da Casa Civil do Estado de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), é um desses nomes, junto com "Palacio Band" e com o secretário municipal de Esportes de São Paulo, Walter Feldman (PSDB), além do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB). Ao jornal, Nunes Ferreira negou a informação, assim como Temer, que considerou a menção "uma infâmia". Ontem, ao Valor, Feldman disse se tratar de um "absurdo" e que ingressou com um habeas data para poder acompanhar as investigações, tendo, inclusive, colocado à disposição das autoridades seus sigilos fiscal, bancário e telefônico.

Em nota, a Camargo Corrêa informou que tomou conhecimento dos pedidos de informação pelo site do Ministério Público: "Mais uma vez, nos vemos alvo de acusações públicas sem que tenhamos tido acesso às informações que lhes deram origem e que são parte de processo judicial que corre em segredo de Justiça. Ressaltamos que, neste mesmo processo, houve denúncias divulgadas precipitadamente à imprensa que se mostraram infundadas. A Camargo Corrêa está convicta da licitude da sua conduta e espera ter acesso a essas informações para que possa fazer sua defesa, direito que constitui base fundamental de um Estado democrático".

O senador Renato Casagrande (PSB-ES), único capixaba no Senado, criticou a atitude do MP. "É uma irresponsabilidade muito grande o Ministério Público divulgar uma coisa dessas, sem dizer quem são os investigados, levantando suspeitas. Eu nunca tive relação alguma com a Camargo Corrêa, nunca recebi doações e minha única atuação em relação ao Aeroporto de Vitória foi buscar meios para que a obra, que estava parada, andasse e se fizesse uma nova licitação".

A Secretaria Estadual de Transportes do Rio informou que "na gestão atual (2007-2010), não há qualquer contrato em vigor ou relação comercial com a empresa Camargo Corrêa, tampouco temos ou contratamos obras metroviárias com a citada empresa". O Dnit informou que ainda não foi notificado: "O que nos impede, por enquanto, de qualquer manifestação". A prefeitura de Jundiaí, chefiada por Miguel Haddad (PSDB), disse não ter recebido intimação da Procuradoria Geral de Justiça a respeito do assunto e se manifestará somente após ter conhecimento dos fatos.

A assessoria de Furnas informou desconhecer a obra citada. A Eletronorte optou por não se manifestar. Em Campinas, nem a Sanasa nem a assessoria da prefeitura local foram localizadas. A Secretaria da Habitação de SP ainda não tinha sido notificada, mas a assessoria disse que a Pasta está disposta a colaborar com as investigações, mesma resposta adotada pela Dersa. A assessoria do senador Inácio Arruda informou que ele não tem envolvimento com o caso. A do deputado Chico Lopes não foi localizada.

Fátima: Não se faz médico a facão

Não há mistério; desde sempre, o ato médico é o fazer médico
"Quando você adoece e vai se consultar, a quem procura?"

FÁTIMA OLIVEIRA, em O Tempo
Médica - fatimaoliveira@ig.com.br

Quando aparecia alguém lá em casa para filar consulta, meu avô Braulino bradava: "Não se faz médico a facão. Eu sei!" Esbravejava: "Acham que doutora vive de brisa". Se pediam remédio, ele irava: "Oxente, e aqui virou farmácia?". A lembrança é a propósito da canseira inútil das acirradas e passionais discussões sobre a "lei do ato médico". De tão surreais perderam o prumo e beiram à insensatez. As medicinas, como Minas, são muitas, mas nunca encontrei quem não saiba o que faz um médico, desses que não são feitos a facão.

O senso comum jamais confunde o ato médico, pois as fronteiras da medicina - alcances e limites -, além de nitidez, gozam de reconhecimento público. À pergunta sobre o que acho do ato médico, mordo a língua e indago: "Quando você adoece e vai se consultar, quem procura?". A resposta é única: o médico. Arremato: "Para quê?", A resposta é sempre igual: "Pra dizer o que tenho e passar remédio". Quem sabe qual é o papel do médico, sabe o que é o ato médico!

A história da medicina é pródiga em comprovações de que a categoria médica - cada profissão origina uma categoria profissional e não uma classe, logo não há "classe médica", terminologia fora do escopo e arrogante - ergueu suas fronteiras na luta separatista entre medicina e religião e na apropriação de saberes de outras profissões, como as parteiras - história de lances indizíveis explicitadores da ojeriza que parte da categoria nutre pelas casas de parto, espaços para partos normais, que apoio. Há outras pelejas.

Leonard M. Martin, em "A Ética Diante do Paciente Terminal", é categórico: "No Ocidente, o surgimento da medicina científica como uma profissão e a separação crescente entre a religião e a medicina são fenômenos com consequências enormes. É um processo histórico complexo, marcado por tensões entre a medicina popular e a erudita, entre medicina de inspiração religiosa e a secularizada, entre medicina tecnológica e científica e uma mais humanística centrada no paciente individual".

Não é segredo, desde os primórdios da medicina científica, que o ato médico é aquele privativo do fazer médico; e que diagnóstico médico e prescrição médica são prerrogativas de quem se graduou em medicina, única profissão da saúde que habilita para formular hipóteses a partir de um conjunto de dados para chegar a uma linha de raciocínio definidora da propedêutica adequada ao diagnóstico e à prescrição.

Aventam que o ato médico desmonta a lógica do SUS e o trabalho em equipe! Como um modelo de assistência à saúde focado nas doenças, com vistas a diagnosticá-las e a tratá-las, prescinde do único profissional que diagnostica; prescreve, de medicamentos a procedimentos; interna e dá alta em hospitais; declara e emite atestado de óbito? A lógica do SUS é que não há SUS sem médico. Como um marco legal escrito da prática médica existente destruiria o trabalho em equipe multi, inter ou transdisciplinar, se o que as caracteriza é a riqueza que cada profissional aporta, através de saberes e habilidades técnicas e científicas específicas e diferenciadas?

A "lei do ato médico", como outras regulamentações de um campo profissional, impede, proíbe e criminaliza é a promiscuidade no agir profissional, configurada numa palavra que fala por si: charlatanismo. O respeito irrestrito à saúde e à vida humana não pode passar ao largo da área de competência científica, técnica e ética de cada profissão que compõe os recursos humanos do setor de saúde.

Do blog Viomundo